Este blog foi criado no âmbito da disciplina de Língua Portuguesa e Tecnologias da Informação e da Comunicação e serve de meio de publicação dos trabalhos realizados no ano letivo 2014/2015 (1º semestre)

domingo, 19 de outubro de 2014

Reflexão individual sobre as TIC na escola: implicações pedagógicas. Por Sara Catarino


“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia. E se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”
Fernando Pessoa


A expressão TIC é cada vez mais utilizada no nosso vocabulário, mas afinal, o que são as TIC?
É muito simples, as Tecnologias da Informação e da Comunicação consistem no tratamento da informação, articulado com os processos de transmissão e de comunicação dessa mesma informação e são utilizadas das mais diversas formas, na indústria (no processo de automação), no comércio (no gerenciamento, nas diversas formas de publicidade), no sector de investimentos (informação simultânea, comunicação imediata) e na educação (no processo de ensino-aprendizagem, na Educação a Distância).

 ”O termo Tecnologias da Informação e da Comunicação refere-se à conjugação da tecnologia computacional ou informática com a tecnologia das telecomunicações e tem na Internet e mais particularmente na World Wide Web (WWW) a sua mais forte expressão. Quando estas tecnologias são usadas para fins educativos, nomeadamente, para apoiar e melhorar a aprendizagem dos alunos e desenvolver ambientes de aprendizagem, podemos considerar as TIC como um subdomínio da Tecnologia Educativa”.
Publicado na Revista de Ciências da Educação, nº 3


Hoje, a tecnologia digital possibilita a produção de textos, os hipertextos, que permitem a articulação da escrita, da oralidade, do som e da imagem tudo no mesmo suporte que demonstram como hoje comunicamos e, enquanto o fazemos, vamos simultaneamente modificando os nossos modos de ver, de ler e de aprender.
O desenvolvimento de hardwares e softwares garante a operacionalização da comunicação e dos processos decorrentes em meios virtuais. No entanto, foi a popularização da internet que potencializou o uso das TIC em diversos campos.
Novas formas de integração das TIC são criadas. Uma das áreas mais favorecidas com as TIC é a educacional. Na educação presencial, as TIC são vistas como potencializadoras dos processos de ensino-aprendizagem. Além disso, a tecnologia traz a possibilidade de maior desenvolvimento – aprendizagem-comunicação entre as pessoas com necessidades educacionais especiais.
As últimas medidas de política educativa, na área do ensino do Português, concretizadas nos Novos Programas do Português (NPPEB, 2009) e nas Metas Curriculares (Metas 2012), acentuam a importância da língua na aprendizagem formal e investem no professor de Português mais uma responsabilidade no desenvolvimento das competências linguísticas e comunicacionais dos alunos.
Os estudos sobre o ensino do Português e as TIC , demonstram um aumento da investigação em tecnologia educativa, fruto da sua crescente importância na sociedade, que nos evidenciam como usar ferramentas da web 2.0 na aula de português. A investigação realizada em torno da inclusão das TIC no ensino, não só do Português mas também de outras áreas, tem registado um aumento significativo, sinal de que a tecnologia tem vindo a ser integrada nas escolas.
Privilegiou-se o seu aspeto lúdico, de modo a modernizar as práticas escolares, suavizando os dissabores do árduo trabalho didático exigido pelo ensino formal. Propor a inserção de tecnologias na escola apenas como recursos, alimentando a esperança de que elas possam tornar as instituições de ensino mais contemporâneas e as aulas mais lúdicas, deixa por si só de lado muitas questões que nos parecem fundamentais na crise que a escola enfrenta e acaba por abrir espaço para que as práticas pedagógicas continuem as mesmas. Para que o potencial das TIC possa ser aproveitado é necessário concretizar abordagens pedagógicas baseadas não só na interação entre professor-aluno, como e essencialmente entre aluno-aluno, desenvolvendo-se assim o trabalho colaborativo como estratégia primordial.

Hoje em dia já são poucos os ramos de atividade que têm sucesso sem recorrerem à utilização de tecnologias. O computador e a internet como ferramentas de trabalho e lazer, integram a vida diária das gerações mais novas, e por isso, a escola deve não só permitir o acesso facilitado às Novas Tecnologias de Informação e Comunicação, como também fomentar ela própria esse acesso, fornecendo meios e recursos aos alunos, para obterem uma informação digital atual e permanente da sociedade com que se relacionam e coabitam. Este novo espaço criado pela Internet é denominado por Lévy (2001) como o ciberespaço e apresenta-se como um lugar por excelência para se incrementarem projetos que contribuam para o desenvolvimento de uma inteligência coletiva.

O aparecimento e utilização da Internet gerou dois espaços diferentes – o espaço real e o espaço virtual, característica própria da sociedade em rede. A coexistência destas formas de relacionamento – a presencial e a virtual – é uma das grandes mudanças que se fica a dever à Internet, no sentido de acumulação e não de substituição de uma pela outra. (Cardoso et al. 2005).
Alguns autores são críticos quanto ao uso instrumental das TIC e apontam que a “reformatação” das práticas escolares só se dará se se encarar as tecnologias como lugares de produção de sentidos quer através da linguagem, quer através da leitura e da produção de textos na escola.
Através do recurso à rede, emergem novos recursos como imagens, textos, vídeos e sons, em diversas línguas que podem ser usados no processo de ensino e aprendizagem e que devem tornar-se prática corrente pois permitem imensas oportunidades de aprendizagem, proporcionando um maior envolvimento, por parte dos alunos, nas tarefas propostas em contexto de sala de aula.

Texto por Sara Catarino.
2014/2015

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