“Há um tempo em que é preciso abandonar as
roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos
levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia. E se não ousarmos fazê-la, teremos ficado,
para sempre, à margem de nós mesmos.”
Fernando Pessoa
A expressão TIC é cada vez mais utilizada no nosso
vocabulário, mas afinal, o que são as TIC?
É muito simples, as Tecnologias da Informação e da Comunicação consistem
no tratamento da informação, articulado com os processos de transmissão e de
comunicação dessa mesma informação e são
utilizadas das mais diversas formas, na indústria (no processo de automação),
no comércio (no gerenciamento, nas diversas formas de publicidade), no sector
de investimentos (informação simultânea, comunicação imediata) e na educação
(no processo de ensino-aprendizagem, na Educação a Distância).
”O termo Tecnologias da Informação e da
Comunicação refere-se à conjugação da tecnologia computacional ou informática
com a tecnologia das telecomunicações e tem na Internet e mais particularmente
na World Wide Web (WWW) a sua mais forte expressão. Quando estas tecnologias
são usadas para fins educativos, nomeadamente, para apoiar e melhorar a
aprendizagem dos alunos e desenvolver ambientes de aprendizagem, podemos
considerar as TIC como um subdomínio da Tecnologia Educativa”.
Publicado
na Revista de Ciências da Educação, nº 3
Hoje, a
tecnologia digital possibilita a produção de textos, os hipertextos, que
permitem a articulação da escrita, da oralidade, do som e da imagem tudo no
mesmo suporte que demonstram como hoje comunicamos e, enquanto o fazemos, vamos
simultaneamente modificando os nossos modos de ver, de ler e de aprender.
O desenvolvimento de
hardwares e softwares garante a operacionalização da comunicação e dos
processos decorrentes em meios virtuais. No entanto, foi a popularização da
internet que potencializou o uso das TIC em diversos campos.
Novas formas de integração das TIC são criadas. Uma das áreas
mais favorecidas com as TIC é a educacional. Na educação presencial, as TIC são
vistas como potencializadoras dos processos de ensino-aprendizagem. Além disso,
a tecnologia traz a possibilidade de maior desenvolvimento – aprendizagem-comunicação
entre as pessoas com necessidades educacionais especiais.
As últimas medidas de política educativa, na
área do ensino do Português, concretizadas nos Novos Programas do Português
(NPPEB, 2009) e nas Metas Curriculares (Metas 2012), acentuam a importância da
língua na aprendizagem formal e investem no professor de Português mais uma
responsabilidade no desenvolvimento das competências linguísticas e
comunicacionais dos alunos.
Os estudos sobre o ensino do Português e as TIC , demonstram um
aumento da investigação em tecnologia educativa, fruto da sua crescente
importância na sociedade, que nos evidenciam como usar ferramentas da web 2.0
na aula de português. A investigação realizada em torno da inclusão das TIC no
ensino, não só do Português mas também de outras áreas, tem registado um
aumento significativo, sinal de que a tecnologia tem vindo a ser integrada nas
escolas.
Privilegiou-se o seu aspeto lúdico, de modo a modernizar as
práticas escolares, suavizando os dissabores do árduo trabalho didático exigido
pelo ensino formal. Propor a inserção de tecnologias na escola apenas como
recursos, alimentando a esperança de que elas possam tornar as instituições de
ensino mais contemporâneas e as aulas mais lúdicas, deixa por si só de lado
muitas questões que nos parecem fundamentais na crise que a escola enfrenta e
acaba por abrir espaço para que as práticas pedagógicas continuem as mesmas.
Para que o potencial das TIC possa ser aproveitado é necessário concretizar
abordagens pedagógicas baseadas não só na interação entre professor-aluno, como
e essencialmente entre aluno-aluno, desenvolvendo-se assim o trabalho
colaborativo como estratégia primordial.
Hoje em dia já são poucos os ramos de atividade que têm sucesso
sem recorrerem à utilização de tecnologias. O computador e a internet como
ferramentas de trabalho e lazer, integram a vida diária das gerações mais
novas, e por isso, a escola deve não só permitir o acesso facilitado às Novas
Tecnologias de Informação e Comunicação, como também fomentar ela própria esse
acesso, fornecendo meios e recursos aos alunos, para obterem uma informação
digital atual e permanente da sociedade com que se relacionam e coabitam. Este
novo espaço criado pela Internet é denominado por Lévy (2001) como o
ciberespaço e apresenta-se como um lugar por excelência para se incrementarem
projetos que contribuam para o desenvolvimento de uma inteligência coletiva.
O aparecimento e utilização da Internet gerou dois espaços
diferentes – o espaço real e o espaço virtual, característica própria da
sociedade em rede. A coexistência destas formas de relacionamento – a
presencial e a virtual – é uma das grandes mudanças que se fica a dever à
Internet, no sentido de acumulação e não de substituição de uma pela outra.
(Cardoso et al. 2005).
Alguns autores são críticos quanto ao uso
instrumental das TIC e apontam que a “reformatação” das práticas escolares só
se dará se se encarar as tecnologias como lugares de produção de sentidos quer
através da linguagem, quer através da leitura e da produção de textos na
escola.
Através do recurso à rede, emergem novos recursos como imagens,
textos, vídeos e sons, em diversas línguas que podem ser usados no processo de
ensino e aprendizagem e que devem tornar-se prática corrente pois permitem
imensas oportunidades de aprendizagem, proporcionando um maior envolvimento,
por parte dos alunos, nas tarefas propostas em contexto de sala de aula.
Texto por Sara Catarino.
2014/2015